Ainda me lembro quando ele disse que ia se casar. Foi como nos filmes de cinema, o copo quase caiu da minha mão e tive que despistar a reação.
Ela estava grávida.
Eu era uma menina, tinha 15 anos, nós nos víamos nas férias e feriados e eu gostava daquele ambiente de fantasia.
Eu falava que não queria, fugia, ignorava, fazia o que eu mais odeio hoje: joguinho.
Mas, repito, eu era uma menina em um ambiente onde ele me cortejava, mandava recado, mensagem, pedia para as nossas amigas em comum irem me buscar para me levarem à festa onde ele estaria.
Ele passava de moto em frente à casa da minha avó, lindo, com aqueles olhos verdes num corpo moreno de sol, mais velho.
E eu me sentia a própria Cinderela vendo um príncipe montado num cavalo de várias cilindradas.
Eu tinha uma foto dele, uma prima me deu, e eu guardava com carinho dentro da agenda, olhava de vez em quando nos períodos em que estávamos em cidades diferentes.
Quando eu chegava, todos me avisavam que ele estava lá e vice-versa.
Ele tinha namorada, e eu sabia, ela era irmã da minha amiga, mas nem suspeitava que eu existia, ou fingia.
O desejo platônico do cara da turminha mais cool da cidade pela menininha forasteira não era segredo pra ninguém.
Aquilo era entre eu e ele.
Todos torciam pra acontecer.
Um dia cedi, num Carnaval no clube, e mandei avisar que beijaria ele.
A sensação de poder decidir e ter um cara legal a seus pés. E a gente volta na fantasia do príncipe encantado.
Daqui a pouco ele veio, teve que esperar ela ir embora, e foi bom, muito bom, mesmo que rápido.
Era a notícia e o frenesi entre os conhecidos.
“Você beijou o Lu!”. Como se eu fosse ganhadora de um prêmio da loteria.
Logo veio a notícia e minha reação inesperada. Eu me importava mais do que pensava.
Na próxima vez que nos encontramos, ele deu um jeito de alguém vir até mim e avisar que mesmo estando casado ele queria estar comigo.
Só teria que ser diferente, com mais discrição.
O ego foi lá em cima, a vontade era muita, mas não. Tinha mais coisa em jogo que o tesão entre nós dois.
E assim foi. Viramos amigos de mesa de boteco. E temos boas lembranças. E não podia ser diferente.
Talvez eu quisesse ter beijado ele mais um dia ou dois. Mas, ok, valeu.
Por que lembrei disso hoje?
Porque acho que foi aí que eu comecei a não deixar nada para amanhã, porque o amanhã pode não chegar ou pode ser diferente.
Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Nosso
São pequenos choques, que começam mansinho e viram trovões.
Nossos corpos tremendo, nossa pele enrijecendo, a união intensa dos nossos tesões.
Seu toque me invade, sua fala me excita e ao mesmo tempo me traz tanta calma.
Seus ruídos, seus cheiros, seu suor, seus cabelos te fazem senhor, que domina minha alma.
Movimentos constantes, fortes, consoantes, apertos espremendo e apertando desejos.
As suas e as minhas taras, fundindo-se em uma ao calor dos nossos beijos.
E a que pese o que chamam, os outros amantes sobre aquele grande, melhor momento, nós nunca promovemos pequenas mortes, porque cada gozo nosso, é um novo nascimento.
Nossos corpos tremendo, nossa pele enrijecendo, a união intensa dos nossos tesões.
Seu toque me invade, sua fala me excita e ao mesmo tempo me traz tanta calma.
Seus ruídos, seus cheiros, seu suor, seus cabelos te fazem senhor, que domina minha alma.
Movimentos constantes, fortes, consoantes, apertos espremendo e apertando desejos.
As suas e as minhas taras, fundindo-se em uma ao calor dos nossos beijos.
E a que pese o que chamam, os outros amantes sobre aquele grande, melhor momento, nós nunca promovemos pequenas mortes, porque cada gozo nosso, é um novo nascimento.
Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
Impossível
É impossível não sentir tesão por ele.
Impossível não me sentir contrair ao pensar nele.
Impossível não me molhar ao esperar ele chegar.
Impossível não querer aquele gosto, aquele cheiro, aquele suor.
Colado, pregado, molhado.
Impossível não me sentir contrair ao pensar nele.
Impossível não me molhar ao esperar ele chegar.
Impossível não querer aquele gosto, aquele cheiro, aquele suor.
Colado, pregado, molhado.
Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Quero
Eu podia dizer que quero ficar com você para sempre, mas acho que querer é pouco.
Prefiro dizer que quero te conquistar e reconquistar quantas vezes forem necessárias ao longo de toda a minha vida.
Podia dizer que, ao seu lado, tenho os dias mais felizes da minha vida. Mas não é que eu só tenha tido alegrias. É que simplesmente não consigo me lembrar das tristezas.
Não espero, nem quero, nem mesmo desejo que tenhamos apenas momentos maravilhosos.
Vida cor-de-rosa não é para humanos, tampouco para homens e mulheres.
Desejo, sim, que tenhamos vida normal, com altos e baixos, com desencontros que são inerentes à vida. E que, ainda assim, a gente sempre consiga seguir juntos.
Não desejo que você não olhe nunca pro lado, mas que sempre se vire de volta e queira ficar comigo.
Não sonho com o dia em que não ficaremos nem um minuto longe um do outro, mas quero contar as horas pra voltar pra casa e te abraçar com todo o amor que houver nessa vida.
Não torço pra que as coisas não mudem nunca, mas sim pra que saibamos nos adaptar às mudanças, às novidades, ao mundo. E um ao outro.
Não espero não brigar nunca, mas urge que façamos as pazes antes de dormir, pra não haver pesadelos durante o sono nem fora dele.
Não quero que não haja questionamentos, nem ausência de dúvidas, pois seria irreal.
E eu quero realidade! Planos pro futuro, dinheiro no bolso para concretizá-los, pés no chão.
Mas o coração... este sim, pode deixar nas nuvens.
Não duvido que a gente nunca se magoe, mas que jamais seja proposital, e que, acontecendo, nunca tenha tamanha profundidade que um abraço forte não faça tudo passar.
Não acredito que não haverá monotonia nem dias chatos, e não penso que a rotina nunca vai bater à nossa porta. Só quero ficar com você mesmo quando for chato, quando houver monotonia, quando a rotina vier nos visitar.
Quero viajar com você pelo mundo, mas me importa saber de onde você vem e te mostrar o que me fez ser como eu sou.
Não quero que o mundo se resuma a nós, mas espero que a gente se baste, estando a sós ou na multidão que nada preenche.
Não quero confrontar seus hábitos, quero que os compartilhe comigo para que eu me acostume com eles e te apóie.
Não desejo apenas risos ao teu lado, quero teu colo pra chorar. E quero saber que, ao olhar nos seus olhos, terei certeza de que pra tudo nessa vida dá-se um jeito mesmo.
Quero que nós dois tenhamos sempre milhões de alternativas na vida, pois é disso que ela é feita - de escolhas.
Mas que, ao fim de cada uma delas, a gente sempre queira escolher um ao outro.
Prefiro dizer que quero te conquistar e reconquistar quantas vezes forem necessárias ao longo de toda a minha vida.
Podia dizer que, ao seu lado, tenho os dias mais felizes da minha vida. Mas não é que eu só tenha tido alegrias. É que simplesmente não consigo me lembrar das tristezas.
Não espero, nem quero, nem mesmo desejo que tenhamos apenas momentos maravilhosos.
Vida cor-de-rosa não é para humanos, tampouco para homens e mulheres.
Desejo, sim, que tenhamos vida normal, com altos e baixos, com desencontros que são inerentes à vida. E que, ainda assim, a gente sempre consiga seguir juntos.
Não desejo que você não olhe nunca pro lado, mas que sempre se vire de volta e queira ficar comigo.
Não sonho com o dia em que não ficaremos nem um minuto longe um do outro, mas quero contar as horas pra voltar pra casa e te abraçar com todo o amor que houver nessa vida.
Não torço pra que as coisas não mudem nunca, mas sim pra que saibamos nos adaptar às mudanças, às novidades, ao mundo. E um ao outro.
Não espero não brigar nunca, mas urge que façamos as pazes antes de dormir, pra não haver pesadelos durante o sono nem fora dele.
Não quero que não haja questionamentos, nem ausência de dúvidas, pois seria irreal.
E eu quero realidade! Planos pro futuro, dinheiro no bolso para concretizá-los, pés no chão.
Mas o coração... este sim, pode deixar nas nuvens.
Não duvido que a gente nunca se magoe, mas que jamais seja proposital, e que, acontecendo, nunca tenha tamanha profundidade que um abraço forte não faça tudo passar.
Não acredito que não haverá monotonia nem dias chatos, e não penso que a rotina nunca vai bater à nossa porta. Só quero ficar com você mesmo quando for chato, quando houver monotonia, quando a rotina vier nos visitar.
Quero viajar com você pelo mundo, mas me importa saber de onde você vem e te mostrar o que me fez ser como eu sou.
Não quero que o mundo se resuma a nós, mas espero que a gente se baste, estando a sós ou na multidão que nada preenche.
Não quero confrontar seus hábitos, quero que os compartilhe comigo para que eu me acostume com eles e te apóie.
Não desejo apenas risos ao teu lado, quero teu colo pra chorar. E quero saber que, ao olhar nos seus olhos, terei certeza de que pra tudo nessa vida dá-se um jeito mesmo.
Quero que nós dois tenhamos sempre milhões de alternativas na vida, pois é disso que ela é feita - de escolhas.
Mas que, ao fim de cada uma delas, a gente sempre queira escolher um ao outro.
Terça-feira, 23 de Junho de 2009
De volta ao passado
Olha só, não me atirem pedras nem queimem meus sutiãs, que me são tão raros, caros e meus.
Ando pensando muito sobre a questão ying/yang na sociedade e dentro de nós e o que eu vejo não são mulheres independentes e felizes com seus novos papéis, nem homens satisfeitos com um ter-que-ser que não combina com seus antigos moldes.
O que enxergo são homens e mulheres perdidos e insatisfeitos, loucos por colo e amor, loucos por si só e loucos de saudade.
Sim, loucos de saudade.
Eu quero ser apenas mulher de novo, estou cansada de virar homem tantas vezes por dia, tendo que resolver a vida e o mundo.
Tenho que trabalhar, pagar contas, impostos, saber tudo sobre contabilidade, escrever, recitar Vinicius, ter uma bunda dura, um cabelo macio, quinhentos e cinquenta e cinco cheiros gostosos pelo corpo, pés e mãos bem-feitos, saber o que está passando no cinema, ler de Sartre a Vogue, ajudar família, amigos, colocar os quadros novos na parede, responder e-mails, saber se o chassi do carro foi adulterado (!?) e estar linda e com a pele fresca quando aquela pessoa que você joga charme há meses te chamar pra sair.
Algumas dessas coisas adoooro fazer, mas outras, cansam!
Ok, você toma banho em segundos, reclama com sua mãe pelo telefone enquanto decide o que vestir (a eterna dúvida do primeiro encontro) e tenta se focalizar em ser mulher.
Apenas mulher.
Mesmo que tenha um bilhete em cima da mesa dizendo para entrar em contato com o contador com a máxima urgência. Máxima urgência?
E o interfone toca e você está com duas blusas na mão, nenhum sapato no pé e uma interrogação bem no meio da maquiagem.
O espelho não mente: você está ligeiramente linda, confusa e cansada.
Mas pega a bolsa e vai... Afinal, arriscar é viver!.
No elevador você pensa, enquanto dá o ar da graça com o eterno blush, amigo de todos os posts e horas: o mundo está invertido ou será que sou eu?
E você não encontra respostas, mas encontra o cara. Parado. Mudo. Com um olhar bonito e alguma expressão que você não entende.
Aí te vem a mesma imagem de minutos atrás: olha o ponto de interrogação bem no meio da cara dele...
O cara não sabe o que fazer. Não sabe se abre a porta do carro, se escolhe o restaurante, se te beija, se te come ou manda embrulhar, se leva flores no dia seguinte, se conversa sobre poesia, sobre filhos ou musculação, tudo porque está na dúvida se você vai achar lindo ou vai rir na cara dele.
Tudo porque ele está perdido, mas... Caramba! Você também está.
Você não sabe se ele tem a mente aberta igual aparenta ou se é mais careta que seu pai. E ninguém se percebe.
O cara te acha inteligente, gostosa, divertida e acha que você é moderna demais pra gostar de uma mensagem fofa no dia seguinte.
Meninos, é mentira. A gente gosta!
Tem gente que pode não gostar, mas eu gosto.
Vivemos num momento de transição e conflitos, fica difícil entender. Nada mais normal.
Eu, por exemplo, trabalho, tenho minha casa, sou forte por acaso, mas tenho meu lado mulherzinha que, ainda bem, nunca me deixa.
Sou emotiva, sensível, choro à toa, rodo a baiana, mas espero o telefone tocar, tenho meus nhem-nhem-nhens e estou cansada.
Cansada de ser racional. Cansada de tomar iniciativa, cansada de, algumas vezes, ser homem em cima do salto 15.
Por isso, em nome do meu equilíbrio, da falsa modernidade e dessa bagunça que virou um simples abrir ou fechar de portas, eu me atrevo a dizer: toda mulher tem seu lado mulherzinha.
Rapazes, sejam fortes e persistentes! Nós somos complicadas, mas contamos com vocês!
Ando pensando muito sobre a questão ying/yang na sociedade e dentro de nós e o que eu vejo não são mulheres independentes e felizes com seus novos papéis, nem homens satisfeitos com um ter-que-ser que não combina com seus antigos moldes.
O que enxergo são homens e mulheres perdidos e insatisfeitos, loucos por colo e amor, loucos por si só e loucos de saudade.
Sim, loucos de saudade.
Eu quero ser apenas mulher de novo, estou cansada de virar homem tantas vezes por dia, tendo que resolver a vida e o mundo.
Tenho que trabalhar, pagar contas, impostos, saber tudo sobre contabilidade, escrever, recitar Vinicius, ter uma bunda dura, um cabelo macio, quinhentos e cinquenta e cinco cheiros gostosos pelo corpo, pés e mãos bem-feitos, saber o que está passando no cinema, ler de Sartre a Vogue, ajudar família, amigos, colocar os quadros novos na parede, responder e-mails, saber se o chassi do carro foi adulterado (!?) e estar linda e com a pele fresca quando aquela pessoa que você joga charme há meses te chamar pra sair.
Algumas dessas coisas adoooro fazer, mas outras, cansam!
Ok, você toma banho em segundos, reclama com sua mãe pelo telefone enquanto decide o que vestir (a eterna dúvida do primeiro encontro) e tenta se focalizar em ser mulher.
Apenas mulher.
Mesmo que tenha um bilhete em cima da mesa dizendo para entrar em contato com o contador com a máxima urgência. Máxima urgência?
E o interfone toca e você está com duas blusas na mão, nenhum sapato no pé e uma interrogação bem no meio da maquiagem.
O espelho não mente: você está ligeiramente linda, confusa e cansada.
Mas pega a bolsa e vai... Afinal, arriscar é viver!.
No elevador você pensa, enquanto dá o ar da graça com o eterno blush, amigo de todos os posts e horas: o mundo está invertido ou será que sou eu?
E você não encontra respostas, mas encontra o cara. Parado. Mudo. Com um olhar bonito e alguma expressão que você não entende.
Aí te vem a mesma imagem de minutos atrás: olha o ponto de interrogação bem no meio da cara dele...
O cara não sabe o que fazer. Não sabe se abre a porta do carro, se escolhe o restaurante, se te beija, se te come ou manda embrulhar, se leva flores no dia seguinte, se conversa sobre poesia, sobre filhos ou musculação, tudo porque está na dúvida se você vai achar lindo ou vai rir na cara dele.
Tudo porque ele está perdido, mas... Caramba! Você também está.
Você não sabe se ele tem a mente aberta igual aparenta ou se é mais careta que seu pai. E ninguém se percebe.
O cara te acha inteligente, gostosa, divertida e acha que você é moderna demais pra gostar de uma mensagem fofa no dia seguinte.
Meninos, é mentira. A gente gosta!
Tem gente que pode não gostar, mas eu gosto.
Vivemos num momento de transição e conflitos, fica difícil entender. Nada mais normal.
Eu, por exemplo, trabalho, tenho minha casa, sou forte por acaso, mas tenho meu lado mulherzinha que, ainda bem, nunca me deixa.
Sou emotiva, sensível, choro à toa, rodo a baiana, mas espero o telefone tocar, tenho meus nhem-nhem-nhens e estou cansada.
Cansada de ser racional. Cansada de tomar iniciativa, cansada de, algumas vezes, ser homem em cima do salto 15.
Por isso, em nome do meu equilíbrio, da falsa modernidade e dessa bagunça que virou um simples abrir ou fechar de portas, eu me atrevo a dizer: toda mulher tem seu lado mulherzinha.
Rapazes, sejam fortes e persistentes! Nós somos complicadas, mas contamos com vocês!
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