terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Oferta

O que te ofereço é mar e tormenta, ressaca e ventania, pedras, bancos de areia, icebergs, recifes de coral.

Aventura.

O que te ofereço não tem descanso, não tem repouso, nem garantia de total felicidade no final.

Mas garanto felicidade agora.

O que te ofereço pode doer, corromper, modificar, fazer sofrer, faltar ar, te jogar pro alto, te confundir e enlouquecer, te ferir, te dizer sim e te fazer não.

Mas nunca a dúvida.

O que te ofereço não é seguro, dá medo, altera o pulso.

Mas prometo passar junto, passar tudo, sem soltar a tua mão.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

7 - o número da perfeição

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Tua

Entre um arrepio e outro da minha pele eu te encontro.

Você sabe como arrancar meu sussurro.

Na boca, tua saliva em minha língua.

A minha língua por entre teus dentes, no teu pescoço, no teu umbigo, no teu sexo.

Teu cheiro dá voltas em torno de mim, e me invade rápido, entre doce e violento, abrigando-se em meu peito, buscando o meu afago denso.

E eu já não sei onde é meu início e nem meu fim, só sei que é.

Neste hoje, neste agora, o mundo não ultrapassa a porta.

Nós transcendemos, penetramos o abstrato dos nossos corpos, com carícias vulgares, de belezas maiores.

As melhores.

Cabe sim, delicadeza em nossa fúria.

Você me dedilha os pêlos, os desejos pueris, o avesso do coração.

Pelo olhar você me adivinha. Eu cedo, me abandono.

Teu sopro leve em minha pele tira proveito da minha entrega e me alça, me espalha aos quatro ventos, me faz pairar alto, sobre o tempo, sobre o cansaço da espera, acima do sujo do chão.

Tua respiração em minha pele demora o segundo infinito e exato para que eu desperte e me perceba tua.

That is it

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Antes dele me beijar eu já sabia que podia ser ele. E foi. E está sendo. E é.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Quando você não está

Desejos.

Sempre me dominam se eu deixar, sempre sou a escrava se puder.

Objetos inalcançáveis, distantes são os mais ardentes muitas vezes.

Pensamentos atiçam o sentido. A vontade de quebrar limites, de ir ao inexplorado.

Desejos insatisfeitos me deixam com a mente fervilhando, corpo inquieto e me fazem perder o sono.

São capazes de me fazer viajar quilômetros só pra sondar o que imagino.

Noites quase insones com esses pecados no pensamento me fazem acordar em poças.

Agora você não está aqui ao meu lado, mas está nos meus pensamentos e dedos, meus dedos...

Fato

Tenho um jeito muito atropelado de amar.

Sou desajeitada com o mundo.

Tropeço sozinha e me machuco sem saber como.

Talvez meu jeito de amar também seja desajeitado, não sou boa com as palavras e tenho pressa.

Ainda bem que ninguém é perfeito, mas coração, eu sei, é doce.

Hora certa

O jeito que ele me olha é que me inspira e desgoverna.

Um jeito que me conhece no derramado de dedos que convidam.

E a voz com sossego, o corpo pronto e quente sempre.

E, se ele demorou tanto, nós sabemos: amor também precisa amadurecer ou maturar na arnica, feito remédio.

Nunca tive muita impaciência na espera, ele sabe.

Pude pular de galho em galho e ir embora quando meu coração não queria ficar, enquanto.

E, das vezes que quis ficar e não tive espaço, entendi.

Funciona quase como o mesmo modo de quem faz ninho para um só passarinho, aquele todo especial.

Mas eu exerci meu par de asas. E fui feliz com as paisagens que sobrevoei.

Aí, quando eu menos esperava, ele chegou encompridando alegrias tão amenas, tão bestinhas.

Fui compreendendo aquela falta de desespero.

Eu achando graça na saudade. Eu perdendo o peso da lembrança só pra rir de tudo. Eu ficando leve. Eu sentindo sono logo na infância da noite.

Porque meu coração estava, enfim, descansado. Eu achando bom meu coração pousar assim: decidido e destrambelhado.