terça-feira, 26 de outubro de 2010

domingo, 24 de outubro de 2010

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Confissões de adolescente

Conheço Marcelo há mais de dez anos, desde o fim da faculdade. Sabe aquele negócio de todo mundo na entrada, no bar da frente, nas festas de sexta-feira.

Me lembro exatamente o dia em que o conheci. Eu usava uma calça jeans com um coração bordado em um dos bolsos de trás e uma blusinha daquelas de linha, de alça, cor-de-rosa, toda desconstruída e modernosa. Porque se tinha uma coisa que eu era na adolescência era estilosa.

Eu usava o cabelo comprido, quase na cintura, com umas ondas, dourado de sol. Porque se tinha uma coisa que eu fazia na adolescência era tomar sol.

Ele estava lá, parado, de pé, com uma perna dobrada, encostado no muro, de bermuda, boné, óculos escuros, um visual um pouco diferente do que me atrai hoje, mas, naquela época, terminando Direito, com um futuro promissor, sobrenome italiano, dono de uma Harley e de um carro do ano, o que mais uma menina de 20 anos podia querer?

Até então eu tinha certeza que iria me casar com um advogado. Todos os meus namorados anteriores, com exceção de um, seriam da área jurídica.

Começamos a sair, a namorar, ele tocava guitarra e compôs uma música pra mim, ficamos juntos uns meses até ele terminar tudo pra voltar com a ex, disse ele.

Choro, sentimento de traição, telefonemas, conversas e tudo passou. Afinal, o relacionamento anterior dele durou cinco anos, começou de criança, ele tinha que tentar de tudo, de novo.

E quem era eu, patricinha mimada, mesmo desiludida, com uma fila de homens, que iria impedir.

Alguns meses depois, exatamente cinco meses depois, ele volta a me procurar (às vezes eles voltam). Eu já estava namorando outra pessoa, alguém com quem eu fiquei quatro anos e meio.

Nessa mesma época, outro ex, também, reapareceu, mas já era tarde pra eles.

Acho que ficamos uns dois anos sem nos falar ou mais. Depois trocamos parabéns nos aniversários, um ”oi, tudo bem” no MSN, um conselho profissional sobre documentação pra comprar um apartamento, uma ajuda na tradução de inscrição no mestrado.

Chegamos a ficar juntos de novo, por mais um tempo, mas não dava. Queríamos coisas diferentes demais, tínhamos prioridades diferentes demais.

Marcelo foi uma das pessoas que eu mais briguei na vida, que eu mais xinguei, mais gritei, mais humilhei, falei coisas que nem sei como tive coragem.

Mas foi com ele que eu traí pela primeira vez, a primeira de duas, foi com ele que eu desabafei quando quis terminar um casamento e quando tive uma paixão relâmpago com outro alguém, foi com ele que eu fiz sexo virtual pela primeira vez, foi com ele que eu frequentei a maioria dos motéis que eu já fui na vida, foi com ele que eu dei vazão a várias fantasias, foi com ele que eu comecei a aprender que as diferenças de objetivo fazem diferença.

Era ele que, mesmo sabendo que nossa relação não tinha futuro, escolhia a folha do meio do meu bloquinho de anotações e colocava nossos nomes dentro de um coração e deixava lá pra eu ver muito tempo depois. Era com ele que eu brincava de “pergunta do dia”.

Há dois anos ele me pediu em casamento. Assim do nada, numa tarde. E era sério.

De todas as vezes que fui pedida em casamento, só uma eu não cogitei a ideia. Não foi a dele. Chegamos a imaginar nossa vida juntos, mas o futuro e o dia-a-dia que ele me propunha não eram o que eu queria. Eu não me encaixava.

Uma relação duradoura nossa nunca daria certo. Sempre falei que nosso amor fazia parte de um mundo paralelo, onde não existia mais ninguém, só a gente. Que não suportaria a vida real.

Hoje crescemos, amadurecemos, não existe mais amor romântico entre nós. Sobraram histórias pra contar.

Ficou uma relação de respeito, uma quantidade de cumplicidades que nos unem. Uma certeza de poder contar, mesmo que muito tempo distante.

Eu corro lá quando preciso de ajuda, ele corre aqui quando quer conversar. Conversas escritas longas as nossas. Eu fico feliz quando ele me envia uma música que eu não vou voltar a ouvir e quando ele me dá conselhos como o abaixo.

"Você peca por ser doce. Mas é o que é apaixonante em você. Então não mude nunca."

E por incrível que pareça, eu confio.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O que ela quer

O que ela quer é falar de amor, fazer cafuné, comprar presente, reservar hotel pra viagem, olhar estrela sem ter o que dizer.

Quer tomar vinho e olhar nos olhos, quer poder soprar o que mora dentro, o que não cabe, que voa inocente.

Ela quer o que não tem nome, quer rir sem saber de quê, passar horas sem notar, quer o silêncio e a falação.

Ela quer bobagem, quer o que não serve pra nada, quer o desejo, que é menos comportado que a vontade.

Ela quer o imprevisto, a surpresa, o coração disparado, o medo de ser bom, quer música, barulho de e-mail na caixa, telefone tocando.

Ela tem muito e quer mais. Quer sempre.

Quer se cobrir de eternidade, quer o oxigênio do risco pra ficar sempre menina.

Ela quer tremer as pernas, beijo na porta pela milésima primeira vez, quer cor e som, lembrança de ontem, sorriso no canto da boca.

Ela quer dar bandeira, quer a alegria besta de quem não tem juízo.

O que ela quer é tão simples.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Happy

Estou trazendo toda aquela felicidade

Que há tempos era impedida de se manifestar.

Hoje não, hoje solto risos verdadeiros

E meu coração é tão tranquilo

Quanto esse céu azul que vejo da janela.