terça-feira, 30 de novembro de 2010

Promessas

Ele disse que preparou esse amor pra ser meu.

Quer que eu viva com ele de parir alegria e filhos.

Prometeu que quando tocar a minha pele com aquela boca vermelha cheia de carne, vai desabotoar meus sentimentos até me deixar mansa e desajuizada.

E que enquanto estivermos de mãos dadas, sempre caminharemos pelo lado mais ensolarado do dia...

sábado, 27 de novembro de 2010

Abraços

E eu adoro dormir e acordar nos braços dele!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Onde está você agora?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Pra ontem

Não sei esperar com paciência. Não tenho essa desenvoltura.

Não sei olhar o tempo e saber que tudo tem seu tempo. Olho o relógio, que parece-me absurdamente errado.

Quisera eu ter outro ritmo, entender o ritmo das coisas que vão além de mim.

Você demora a chegar. São tantos dias, serpenteados por tantas noites, que eu já não sei quanta falta, quanta aurora pra um dia de paz, sossegada em teu peito.

Meu querer sussurra um desejo, uma fome.

Sou tão urgente, amor.

Falta freio, uma parada, uma placa de aviso, um olhar de soslaio.

Não quero esperar, amor. Nem pelo dia certo, nem pela hora exata, o feriado, a conjunção dos astros, a combinação de agendas.

Não quero ser comedida, ser sensata, madura, saber esperar, aprender a amar de longe.

Quero ser a doida, a insensata, a dos solavancos, a dos desvarios. Não ambiciono mais a alva paz dos sentidos.

Passo uma vida me aplainando, aprendendo a me moldar na minha dissonância. Gasto cem anos aprendendo a oferecer a outra face, mil anos para entender tempestades, a eternidade lapidando a jóia em meu peito.

Mas amar, amor.

Amar é sempre pra ontem.

Chega logo!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Ele dá e tira

O que me interessa no amor, não é apenas o que ele me dá, mas principalmente, o que ele me tira: a carência, a ilusão de autossuficiência, a solidão maciça, a boemia exacerbada para suprir vazios.

Ele me tira essa disponibilidade eterna para qualquer um, para qualquer coisa, a qualquer hora.

Ele apazigua o meu peito com uma lista breve de prós e contras. Mas me dá escolhas.

Eu me percebo transformada pelo que o amor tirou de mim por precisar de espaço amplo e bem cuidado para se instalar.

O amor tira de mim a armadura, pois não consigo controlar a vulnerabilidade que vem com ele; tira também a intransigência.

O amor me ensina a negociar os prazos, a superar etapas, a confiar nos fatos.

O amor tira de mim a vontade de desistir com facilidade, de ir embora antes de sentir vontade, de abandonar sem saber por quê.

E é por isso que o amor me assombra tanto quanto delicia.

Porque não posso virar as costas pra uma mania quando ela vem de uma pessoa inteira. Porque eu não posso fingir que quero estar sozinha quando o meu ser transborda companhia.

O amor me tira coisas que eu não gosto, coisas que eu talvez gostasse, mas me dá em dobro o que nunca tive: um enamoramento por ele mesmo.

O amor me tira aquilo que não serve mais e que me compunha antes.

O amor tirou de mim tudo que era falta.